É a versão do engenheiro de controle do argumento “Tabs vs. Espaços”.
Você está projetando um painel de controle. Você tem uma válvula solenoide de 24VDC que controla um cilindro pneumático. Você tem uma saída sobressalente na sua placa PLC.
Você:
- A) Conecta a válvula diretamente à saída do PLC?
- B) Instala um “relé de interface” entre o PLC e a válvula?
Se você perguntar isso em uma sala cheia de engenheiros (ou no fórum r/PLC), você vai começar uma briga.
A “Velha Guarda” dirá que acionar uma válvula diretamente é uma imprudência que custará milhares. Os “Modernistas” dirão que adicionar relés é um desperdício de espaço e dinheiro que introduz pontos de falha desnecessários.
Ambos os lados estão certos. E ambos os lados estão errados.
A resposta não é sobre dogma; é sobre Gestão de Risco. Vamos analisar o debate do “Cordeiro Sacrificial” e encontrar a Regra de Ouro que deve realmente guiar seu projeto.
1. O Argumento Conservador: “O Cordeiro Sacrificial”
Para o engenheiro focado na manutenção, o relé de interface é não negociável. Sua lógica é construída sobre a assimetria financeira.
- O Ativo: Um Módulo de Saída Allen-Bradley ou Siemens. Custo: R$300 – R$500+.
- O Escudo: Um relé plug-in simples. Custo: R$5 – R$10.
A Lógica:
As válvulas solenoides são os “bad boys” do mundo industrial. Elas entram em curto. As bobinas queimam. Os cabos são esmagados por empilhadeiras.
Se você conectar essa válvula diretamente à sua placa PLC de R$500, um único curto-circuito no campo pode queimar o transistor interno desse canal de saída. No pior cenário, queima toda a placa.
Agora você tem uma máquina parada às 3:00 da manhã. Para consertá-la, você tem que desligar o rack, desparafusar o bloco de terminais, trocar a placa cara (se você tiver uma sobressalente) e refazer a fiação.
Mas se você usar um relé de interface? O relé leva a pancada. É o Cordeiro Sacrificial.
O PLC permanece seguro. O técnico chega, puxa o relé queimado para fora do seu soquete, conecta um novo cubo de R$5 e a máquina está funcionando em 30 segundos.
Pro-Tip: Para o engenheiro “Conservador”, o objetivo não é apenas proteger o hardware; é proteger o Tempo Médio para Reparo (MTTR). Uma troca de relé é mais rápida do que uma troca de módulo sempre.
2. O Argumento Modernista: “O Imposto da Complexidade”
O outro lado da mesa argumenta que a estratégia do “Cordeiro Sacrificial” é um pensamento ultrapassado dos anos 1980.
1. PLCs Modernos Não São Frágeis
Vinte anos atrás, as placas de saída eram delicadas. Hoje? A maioria dos módulos de saída de transistor de qualidade tem proteção eletrônica contra curto-circuito embutida. Se uma válvula entra em curto, a placa detecta, desliga o canal e espera a falha ser eliminada. Ela se protege. Ela não precisa de necessidade um guarda-costas.
2. Limites de Vida Mecânica
Um relé é um dispositivo mecânico. Ele tem partes móveis. Ele tem um ciclo de vida (talvez 100.000 a 1 milhão de ciclos).
Se você tem uma aplicação de triagem de alta velocidade onde uma válvula dispara a cada 2 segundos, esse relé falhará mecanicamente em alguns meses.
Uma saída de transistor PLC é de estado sólido. Sua vida teórica é infinita. Ao adicionar um relé, você está pegando um sistema robusto e adicionando uma “peça de desgaste” que garante manutenção futura.
3. O “Imposto da Complexidade”
Cada componente que você adiciona é um ponto de falha potencial. Adicionar um relé significa:
- Adicionar um soquete (Custo de espaço).
- Adicionar 4+ pontos de conexão (Risco de parafuso solto).
- Adicionar fio extra (Custo de mão de obra).
O argumento Modernista é: “Você está comprando uma falsa sensação de segurança pagando um imposto em espaço, mão de obra e complexidade.”
3. O “Verdadeiro” Assassino: O Kickback Indutivo
Enquanto os Conservadores e Modernistas discutem sobre como qual chave usar para chavear a carga, eles frequentemente ignoram o que o que mata a chave.
O verdadeiro inimigo não é o curto-circuito. É o Kickback Indutivo (Surto).
Uma bobina solenoide é um indutor. Quando você desliga desligado a energia para uma bobina magnética, o campo magnético em colapso gera um pico de tensão reversa massivo. Uma bobina de 24V pode gerar um pico de -500V a -1000V em um microssegundo.
- Se você usar um PLC: Este pico perfura a junção do transistor.
- Se você usar um Relé: Este pico forma arcos através dos contatos, soldando-os ou carbonizando-os.
O Veredito: Não importa se você usa um relé ou não—se você não usar Supressão de Surto (um díodo para DC, ou um snubber MOV/RC para AC), você vai destruir seu dispositivo de comutação.
Pro-Tip: Nunca instale uma válvula solenoide sem um diodo (diodo flyback) através da bobina. Muitos conectores de válvula modernos (conectores DIN) vêm com LEDs e diodos embutidos. Use-os. Eles são o real seguro barato.
4. A Regra de Ouro: “Dentro vs. Fora”
Então, quem ganha?
O debate foi resolvido por uma “Regra de Ouro” pragmática que integradores de sistema experientes usam. Ela decide quando usar um relé com base em localização.
Cenário A: A Carga está DENTRO do Gabinete
- Exemplos: Luzes piloto, outras entradas de CLP, pequenos relés de controle, sinais de habilitação de VFD.
- Veredicto: Acionamento Direto.
- Porquê: O ambiente é controlado. Nenhuma empilhadeira está dirigindo através do seu gabinete. O risco de um curto-circuito é quase zero. Usar um relé aqui é um desperdício de dinheiro e espaço.
Cenário B: A Carga está FORA do Gabinete (O Campo)
- Exemplos: Válvulas solenoides na máquina, contatores de motor, buzinas.
- Veredicto: Relé de Interposição (ou Terminal Fusível).
- Porquê: O campo é uma zona de guerra. Cabos ficam presos, água entra nas caixas de junção e ratos roem fios. O risco de um curto-circuito é alto.
- O Compromisso: Você não precisa de um relé grande e volumoso “Cubo de Gelo”. Use Relés Slimline (como os de 6mm da Phoenix Contact, Finder ou VIOX). Eles ocupam a mesma largura de um bloco de terminais, mas oferecem isolamento total.
Cenário C: A Exceção de “Alta Corrente”
- Veredicto: Se a solenoide puxar mais de 0,5 Amperes (ou perto do limite da placa do CLP), Sempre Use um Relé.
- Porquê: Executar uma placa de CLP com 90% da capacidade gera calor e encurta sua vida útil. Deixe um relé barato lidar com o trabalho pesado.
Resumo: Não Seja Dogmático, Seja Estratégico
O debate “Direto vs. Relé” não é binário. É uma escala móvel de risco.
- Avalie o Risco: O cabo está passando por um chão de fábrica? Relé. Está a dois centímetros de distância no mesmo backplane? Direto.
- Suprima o Surto: Prenda com diodo cada bobina DC. Sem exceções.
- Economize o Espaço: Se você usar relés, use o estilo de interface ultra-slim de 6mm.
- Considere Terminais Fusíveis: Um bloco de terminais fusível é um ótimo meio-termo. Ele protege o fio do CLP de um curto no campo sem o desgaste mecânico de um relé.
Você não precisa “sacrificar um cordeiro” para cada saída. Mas se você está enviando 24V para o velho oeste selvagem do chão de fábrica, é bom ter um guarda-costas na frente do seu controlador de US$500.
O Rigor Técnico Nota
Normas E Fontes Referenciadas: Conceitos se alinham com NFPA 79 (Padrão Elétrico para Máquinas Industriais) em relação à proteção contra sobrecorrente e separação de circuitos de controle.
Terminologia: “Relé de Interposição” refere-se a um relé usado especificamente para isolar um controlador de baixa potência (CLP) de uma carga de maior potência ou maior risco.
Pontualidade: As melhores práticas em relação à proteção de saída de estado sólido e relés slimline estão atualizadas até novembro de 2025.




